Só 30% das moradias do Minha Casa, Minha Vida serão entregues este ano
A parcela da sociedade que recebe entre zero e três salários mínimos recorre ao governo para realizar o sonho da casa própria. Os programas federais, no entanto, ao invés de atacarem o déficit habitacional, segundo o deputado Fernando Chucre (SP), implodem o sonho da população. É o caso do Minha Casa, Minha Vida, criado em abril do ano passado.
Com o mandato do governo do PT perto do fim, a Caixa Econômica Federal admitiu nesta semana que o programa não cumprirá a meta de entregar um milhão de moradias até dezembro deste ano, como prometeu a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ao lançar a ação em abril de 2009.
De acordo com informações da Caixa, o Minha Casa, Minha Vida assinou 542 mil contratos até junho em todo o País, mas concluiu apenas 120 mil unidades e a expectativa é entregar 300 mil até o fim do ano, o equivalente a 30% da meta.
Arquiteto e urbanista por formação, Fernando Chucre (SP) lamenta a forma como o governo conduz o programa, que, segundo ele, tem função eleitoreira.
"Os meses vão passando e o Minha Casa, Minha Vida mostra-se cada vez mais ter um viés eleitoreiro, sem se preocupar com o déficit habitacional", critica.
Para o deputado, os programas habitacionais devem ter como foco reduzir o déficit de moradia em relação à parcela da população que recebe até três salários mínimos. "É preciso ter uma ação transparência, séria e comprometida, que reduza o elevado índice de defasagem nessa faixa salarial."
Levantamento da Fundação João Pinheiro mostra déficit habitacional no País de seis milhões de moradias. Segundo a fundação, a carência habitacional está concentrada nas famílias com renda mensal de até três salários mínimos (90% das famílias). Os dados analisados são referentes ao ano de 2008.